Podemos fingir que somos outras pessoas?

Amo-te do amanhecer ao por-do-sol.
Com a intensidade de quem grita os bons dias para o outro lado da rua. Com a força de quem quer gritar o teu nome do topo de um prédio alto.
Amo-te simplesmente. E ao mesmo tempo... de simples não tem nada. Amo-te porque sim. Porque não.
Tenho vontade de correr para os teus braços.
Ou deixar que te aninhes nos meus. Fico a contar os minutos, para ter um pequeno vislumbre de ti.
Imagino-te ao meu lado e sorrio com a ideia de ti.
Um dia... gostava de ter mais um dia. Seria suficiente para alimentar as minhas vontades.
O cheiro das tuas roupas, aquelas que ainda ficaram perdidas pelo apartamento, começa a desaparecer lentamente.
Amo-te com saudade, melancolia de quem um dia amou e foi amada de volta.
Estás a meio Mundo de distância de cada vez que nos encontramos na rua. Os teus olhos procuram no meu rosto algo, alguma coisa que te diga que estou diferente. Que o motivo pelo qual nos afastámos deixou de existir.
É sinal que te preocupas?
É por isso que vejo as lágrimas a rasarem os teus olhos, as palavras presas nos teus lábios?
Estou também à procura de alguma coisa?
Esta coisa da razão mata a descoberta de duas pessoas, que um dia tiveram o direito de estarem juntas ao sol.
Impede-me de correr para ti e beijar-te até que o fôlego se me acabasse.
A razão tem razões que a própria razão desconhece.
Dava tudo por mais uns momentos do nosso Paraíso.
Podemos fingir que somos outras pessoas? Só por umas horas. Um dia. Na correria imensa que é o tempo, sei que gostaria de o partilhar contigo. No esquecimento do que dissemos, do que passámos. Somente na liberdade de darmos asas à nossa imaginação e voltarmos a ser inteiros.
E choro, porque tudo acabou quando tinha de acabar.

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