Conversas de café

- Acreditas? - pergunto-lhe. Seguro um pacote de açucar vazio na ponta dos meus dedos, e reviro-o por entre estes sentindo de vez em quando pequenos grãos que ainda não tinnam escapado do pacote a cair.
- Depende.
- Depende do quê?
- Tudo nesta vida depende de alguma coisa.
- Para com as respostas enigmáticas! - exijo-lhe atirando contra ele o pacote vazio de açúcar. Ele solta uma pequena gargalhada. Semore disse que eu tenho um temperamento de uma criança pequena e adora quando ele se revela.
- Depende do que me perguntas. Queres saber se acredito em quê?
- Tudo.
- Isso não é resposta.
- É sim.
- Então não é uma resposta muito especifica.
- Acreditas na vida?
- Claro. - responde ele.
- Não pareces muito convencido. 
- Do que é que me preciso de convencer?  Todos temos direito a uma não é verdade? O destino que lhe damos apenas depende do caminho que decidimos tomar ao longo dela.
- Acreditas num caminho certo e num caminho errado?
- Acredito em escolhas. Escolhas que tanti podem definir um momento como uma vida inteira.
- E gostaste das tuas escolhas até agora?
Ele olha-me de uma maneira enigmática e com um pequeno sorriso.
- Essa é uma pergunta de rasteira.
- Nem por isso.
- As minhas escolhas trouxeram-me ate aqui não foi? Até junto de ti.
- E se por ventura eu fosse o maior erro da tua vida?
- Então serias um erro que eu aproveitaria com todas as suas potencialidades.
- Isso é um pensamento de um sedutor.
- Não discordo. Mas com uma diferença.
- Qual?
- O sedutor tem em vista todas as mulheres. Eu apenas te tenho a ti como objectivo da minha arte.
- Arrependes-te disso?
- Não. És a mais bela aventura da minha vida.
- Mas sabes que já o fizeste. Já me seduziste.
- O que eu sinto por ti não é coisa de um momento ou de vários momentos. É coisa de uma vida inteira. É o trabalho prazenteiro do resto da minha vida.
- Teremos o resto da nossa vida juntos?
- Quer seja uma hora ou anos. Existem vidas que duram apenas horas vividas intensamente mas que valem mais do que anos vividos em plenitude no limbo.
- Não te sabia poeta de prosas.
- Não? Sendo tu a minha musa.
- As musas tem muito pouca importância.
- Nem por isso. As musas alimentam a alma do artista. E tu meu amor, desde o momento que nos conhecemos, tiraste-me da fome que já passava hà anos.

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