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Perdi-me

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Perdi-me em segundos de saudade e lágrimas de emoção.
Raios de sol que iluminavam ternamente o caminho que estas tomavam pelo meu rosto poderiam testemunhar que o meu coração se perdera.
A minha alma, estava somente à espera de ser transformada em papel.
Percorri o precipício que nos separava da eternidade, desejando sem limites que os teus braços fossem suficientes para me segurar, de me separar do ponto em que me estava prestes a desfazer.
Que os teus beijos fossem o bálsamo que as minhas feridas gritavam.
Mas desapareceste em busca de algo menor.
Em cantos que desaparecem nas sombras, estilhaços enterraram-se ainda profundamente no meu corpo.
Respirar tornou-se mais dificil.
Como se um elefante tivesse escolhido aquele preciso momento para se sentar em cima do meu peito.
Continuei a amar-te com a mesma intensidade.
Perdi-me em abraços que ficaram por dar e beijos que ficaram por amar.
Chorei quando te foste embora, como se a própria luz estivesse a ir embora contigo.
Perdi-me em pe…

Dançámos

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Descrevo-te lentamente.
Com palavras incontáveis, impensáveis ao ser humano que corre o dia para não pensar.
Com movimentos translúcidos, de quem ama por mais do que amar, e não teme amar com todo o seu coração e alma.
Amar lentamente não deixa espaço a porquês.
E eu amo-te, sem que os pontos estejam nos is e sem que o relógio tenha soado as doze badaladas.
Afinal, o nosso conto de fadas nem começou.
Adormeces tranquilo ao meu lado, sem reservas de quem carrega a dúvida na alma. As tuas longas pestanas projectam sombras no teu rosto, cada linha representando um ponto de viragem na tua história.
Até os meus braços terem sido feitos para te abraçarem.
Os teus sonhos, elementos figurativos, incontroláveis projecções de uma alma indomável, levam a que o teu rosto suavize. Consigo ver o coração de ouro que costumavas ser e aquilo que ainda temos para chegar.
Num instante, o Futuro está aqui.
Os teus dedos escorregam um pouco mais dos meus, numa dança vagarosa e sensual. O meu corpo arrepia…

Devaneios

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Esperei um segundo.
E por ti, uns instantes mais.
Numa imagem, que se multiplica em tantas outras, momentos sagrados em que uma vida, que custa a crer ser realmente a nossa se desenrola diante de nós a olhos vistos.
São esperanças infinitas.
E amores recuperados.
É saudade que nunca nasceu e triste melodia que nunca foi ouvida.
É o sorriso que me desenhaste e o ardor que te fiz sentir.
Esperei por ti instantes mais, enquanto me dizes que esperaste por mim toda a tua vida.
Achas bonito tentar ganhar-me neste jogo de tolos?
Só nós nos atrevemos a apaixonar.
Numa Galáxia em que os mais comuns oferecem o tempo de uma vida inteira, eu grito-te que te quero até ao fim e o inicio de uma outra alma.
Arriscado é o compromisso que nossas mãos uniram, meu rapazinho de rua.
Teus beijos tiram-me do sério mas alimentam-me o espírito, até que o dia se torne finito e a noite traz a sua ameaça.
Que teria sido de mim se não te tivesse colocado a vista em cima?
Que seria de mim, se todo este amor ficass…

Duas da manhã

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São duas da manhã. Os nossos dedos tocam-se no remoinho dos lençóis, na preguiça amorosa de quem adormece nos braços do seu refúgio. O meu coração bate fora de compasso. Sempre tiveste um efeito irritante em mim, o meu veneno ainda antes do meu antídoto.
Opostos que se atraem numa pessoa apenas.
Remexo-me. As nossas mãos largam-se, as pernas entrelaçam-se. Movemos-nos em relação um ao outro, gravidade, força estática que nos atrai um para o outro a cada momento sucessivo, a cada novo segundo que o relógio conta.
Abro os olhos- Duas miseras frestas num Mundo onde os Gigantes governam. Volto o meu rosto na tua direcção.
Bolas!
Esqueceste-te de puxar as cortinas de novo. O luar intromete-se no nosso quarto, qual terceiro espectador inusitado de todo um amor que é só nosso e que escritores mais competentes do que eu um dia irão rescrever. Solto uma ligeira gargalhada, abafada pela minha lentidão ensonada.
Estás tão tranquilo. Ergo uma mão cautelosa, por vezes inimiga da perfeição. Tento a…

De qualquer das maneiras...

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Sinto falta do toque dos teus lábios.
O som doce do beijo que me acorda pela manhã. O nariz enrugado quando ponho as mãos frias no teu pescoço. Da tua língua afiada e cusca, que pragueja a qualquer obstáculo e sofre pela mais recente novidade.
Lembro-me daquelas tardes preguiçosas de Sábado. Das minhas pernas estendidas sobre o teu colo e o teu coração nas minhas mãos. Os teus dedos longos que dedilhavam as cordas da guitarra. A luz do Sol que beijava as costas das tuas mãos, tocava as pontas dos teus cabelos, em tons de amarelos dourados ou laranjas ferrugentos.
A minha alma alegrava-se a cada palavra que pronunciavas. A forma como os teus lábios se retorciam nos cantos, num sorriso palavreado. Como o teu cabelo caia para os teus olhos, as tuas covinhas se acentuavam de cada vez que olhavas para mim, e os nossos momentos juntos se tornavam maiores do que a eternidade.
Foste o meu príncipe. Que me carregava às cavalitas de cada vez que eu pedia . E que me puxava para dançar pelo meio …

Sou ruínas

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Sou ruínas.
Folha de papel em branco queimada.
Palavras que ficaram por escrever retorcem-se perante os meus olhos, o sabor a cinza repousa na minha boca.
Sabor intenso, comparável à saudade que transborda do meu coração.
Tivemos somente direito a uma noite. Que durará a eternidade da minha memória.
Amei-te numa noite de luar. Em instantes que se fundiam lentamente, como que saídos de um sono do qual eu não queria acordar.
As nossas gargalhadas embevecidas nos braços um do outro, eram sons distantes, levados com o vento, testemunhados por passageiros alheios  a uma ilusão.
Fomos uma luz no inicio de um túnel. Mesmo antes da tempestade se ter formado no Horizonte, e o Adeus se ter formado nos meus lábios.
E nos teus.
Foste mágico e o maior amor que tive nesta vida.
Ainda tenho o som da tua voz gravado na minha mente. Um som que uma vez fora maravilhoso hoje é doloroso.
Desejo de um céu nocturno e a luz da lua a entrar pela nossa janela.
Queria voltar aquela noite, sentir os teus braços…

Desejos e manias

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Entrei numa página em branco, desprovida de desejos, inútil de sentimentos e saudade de quem um dia fomos.
No nevoeiro de uma vida, uma volta na roda gigante, que não passa duas vezes pelo mesmo sitio.
Imaginei que o meu livro estaria escrito por esta altura. Com palavras bonitas, cheias de significado e pouco floreadas.
Palavras de uma vida cheia de risos, choros e uma dança aqui e ali.
Que teria um final digno de contos de fadas, e não dos meus mais tenebrosos pesadelos.
Um beijo no rosto e um poema de saudade. Foi tudo aquilo que me deixaste naquela abandonada madrugada.
Porventura, o meu coração de vidro estilhaçou, até pertencer à areia da praia.
Ainda tenho o teu blusão de cabedal. Cheira a menta, a suor e a ti, o meu aroma favorito e único, cheia de todas as memórias de uma vida que deixei escapar por entre os meus dedos, produto da imaginação de alguém que costumava sonhar acordada.
Ainda me lembro de agarra o seu tecido, como se a minha vida dependesse e não dependesse dele d…