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Duas da manhã

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São duas da manhã. Os nossos dedos tocam-se no remoinho dos lençóis, na preguiça amorosa de quem adormece nos braços do seu refúgio. O meu coração bate fora de compasso. Sempre tiveste um efeito irritante em mim, o meu veneno ainda antes do meu antídoto.
Opostos que se atraem numa pessoa apenas.
Remexo-me. As nossas mãos largam-se, as pernas entrelaçam-se. Movemos-nos em relação um ao outro, gravidade, força estática que nos atrai um para o outro a cada momento sucessivo, a cada novo segundo que o relógio conta.
Abro os olhos- Duas miseras frestas num Mundo onde os Gigantes governam. Volto o meu rosto na tua direcção.
Bolas!
Esqueceste-te de puxar as cortinas de novo. O luar intromete-se no nosso quarto, qual terceiro espectador inusitado de todo um amor que é só nosso e que escritores mais competentes do que eu um dia irão rescrever. Solto uma ligeira gargalhada, abafada pela minha lentidão ensonada.
Estás tão tranquilo. Ergo uma mão cautelosa, por vezes inimiga da perfeição. Tento a…

De qualquer das maneiras...

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Sinto falta do toque dos teus lábios.
O som doce do beijo que me acorda pela manhã. O nariz enrugado quando ponho as mãos frias no teu pescoço. Da tua língua afiada e cusca, que pragueja a qualquer obstáculo e sofre pela mais recente novidade.
Lembro-me daquelas tardes preguiçosas de Sábado. Das minhas pernas estendidas sobre o teu colo e o teu coração nas minhas mãos. Os teus dedos longos que dedilhavam as cordas da guitarra. A luz do Sol que beijava as costas das tuas mãos, tocava as pontas dos teus cabelos, em tons de amarelos dourados ou laranjas ferrugentos.
A minha alma alegrava-se a cada palavra que pronunciavas. A forma como os teus lábios se retorciam nos cantos, num sorriso palavreado. Como o teu cabelo caia para os teus olhos, as tuas covinhas se acentuavam de cada vez que olhavas para mim, e os nossos momentos juntos se tornavam maiores do que a eternidade.
Foste o meu príncipe. Que me carregava às cavalitas de cada vez que eu pedia . E que me puxava para dançar pelo meio …

Sou ruínas

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Sou ruínas.
Folha de papel em branco queimada.
Palavras que ficaram por escrever retorcem-se perante os meus olhos, o sabor a cinza repousa na minha boca.
Sabor intenso, comparável à saudade que transborda do meu coração.
Tivemos somente direito a uma noite. Que durará a eternidade da minha memória.
Amei-te numa noite de luar. Em instantes que se fundiam lentamente, como que saídos de um sono do qual eu não queria acordar.
As nossas gargalhadas embevecidas nos braços um do outro, eram sons distantes, levados com o vento, testemunhados por passageiros alheios  a uma ilusão.
Fomos uma luz no inicio de um túnel. Mesmo antes da tempestade se ter formado no Horizonte, e o Adeus se ter formado nos meus lábios.
E nos teus.
Foste mágico e o maior amor que tive nesta vida.
Ainda tenho o som da tua voz gravado na minha mente. Um som que uma vez fora maravilhoso hoje é doloroso.
Desejo de um céu nocturno e a luz da lua a entrar pela nossa janela.
Queria voltar aquela noite, sentir os teus braços…

Desejos e manias

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Entrei numa página em branco, desprovida de desejos, inútil de sentimentos e saudade de quem um dia fomos.
No nevoeiro de uma vida, uma volta na roda gigante, que não passa duas vezes pelo mesmo sitio.
Imaginei que o meu livro estaria escrito por esta altura. Com palavras bonitas, cheias de significado e pouco floreadas.
Palavras de uma vida cheia de risos, choros e uma dança aqui e ali.
Que teria um final digno de contos de fadas, e não dos meus mais tenebrosos pesadelos.
Um beijo no rosto e um poema de saudade. Foi tudo aquilo que me deixaste naquela abandonada madrugada.
Porventura, o meu coração de vidro estilhaçou, até pertencer à areia da praia.
Ainda tenho o teu blusão de cabedal. Cheira a menta, a suor e a ti, o meu aroma favorito e único, cheia de todas as memórias de uma vida que deixei escapar por entre os meus dedos, produto da imaginação de alguém que costumava sonhar acordada.
Ainda me lembro de agarra o seu tecido, como se a minha vida dependesse e não dependesse dele d…

Amanhecer tresloucado.

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Acreditei na serenidade das tuas palavras, que voaram leves, como um pequeno vento que teimava em não acreditar em contos de fadas.
Revi-me num espelho que apenas me entregava mentiras de volta.
E quando me deste a mão, e me disseste que me amavas, naquela última vez, ingénua santa, quis acreditar com todas as minhas forças.
No inicio fomos somente ilusão. Lembro-me de te tentar evitar com todas as minhas forças. Coração somente quer aquilo que consegue ver, e por mal das minhas aventuras, julguei que o meu coração fosse demasiado fraco para aguentar o desgosto amoroso que adivinhavas ser.
Loucura minha querer evitar o inevitável.
Fomos dois miúdos que se apaixonaram na confusão de um amanhecer tresloucado.
Um rumo sem tino, um sonho impossível que a realidade forçou e não ajudou.
O perfume de uma memória a dois.
Um beijo trocado no escuro do cinema, para sempre gravado em papel químico, fácil de perder, dificil de manter colado no quentinho de uma alma que costumava estar inteira.
Fo…

Mas ainda gosto de ti

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Encontrei o teu perfume perdido entre as minhas memórias.
Trouxe-me um sorriso e uma lágrima, um instante de saudade que ficará sempre comigo, mas que daria de bom agrado ao mais precoce transeunte.
Foste a banda sonora do meu passado, um momento no tempo que não mais se repetirá, em que nunca mais serei tão feliz quanto outrora fui.
Deste-me o Para sempre, que tudo significou para mim, mas que para ti ficou em branco.
Fomos uma película a cores, que nada perdeu a intensidade em comparação com outras. Mas o teu amor voou nas asas de uma outra vida, uma outra vida e um outro lugar.
Deste-me a mão em outra hora, e ainda hoje sei de cor os teus dedos por entre os meus.
Nada volta atrás, mas queria regressar ao instante em que deixaste de me amar.
Foste de carro até ao por-de-sol de braço dado com o teu novo amor.
E permaneço no desconhecido, sem saber que a paixão que sentia noutros tempos, algum dia fará o meu coração bater com a mesma intensidade.
Mas ainda gosto de ti.
E perdoo-nos.

És a minha saudade

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Passaram dois anos desde o momento em que partiste dos meus braços. E nunca mais consegui respirara como deve ser.
Ainda existe um pedacinho de mim...Que ás vezes está fechado dentro de um cofre pequenino, que dói a cada menção do teu nome. Como uma ferida aberta, que teima em não sarar e que me lembra a cada dia da pessoa que tive comigo.
Foste o meu bem mais precioso.
E sei que continuarás estar gravado na minha memória, na minha pele mesmo até ao fim da minha vida.
Por ti ia ao fim do Mundo. Mas não me deste essa oportunidade.
As saudades apertam. Tal como os abraços que costumavas dar. E que me enchiam do teu cheiro. A tabaco e a mentol.
Tenho muitas saudades tuas.
Daquelas que doem e apertam. Que ficam gravadas na memória e no corpo, quer tenha sido pelo quanto te amei, quer seja pelo quanto não deixei de te amar.
O Mundo perdeu dois sorrisos quando te foste embora.
As gargalhadas ficaram difíceis, se não mesmo impossíveis.
As tuas roupas ainda ocupam metade do armário.
São a min…