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És

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És aquele que me tira do sério. Que me arranca as palavras da boca, ainda antes de estas estarem pensadas. Que me diz que sou bonita pelas manhãs pelo puro prazer de me desarmar.
És o príncipe dos meus sonhos, aquele que chega no cavalo branco no último momento, pronto para me salvar. Sabes que nunca gostei da ideia de um príncipe encantado a recuperar a sua donzela em apuros, mas infiltraste-te em mim de tal maneira, que me viraste as ideias do avesso. Perdi o juízo por tua causa, se é que uma pessoa verdadeiramente sã alguma vez teve algum tipo de juízo que fosse.
És aquele que me tira um sorriso mesmo quando eu não pretendia mostrá-lo. Que me faz rir das suas piadas por muito más que sejam. Que alimenta o meu espirito com histórias do arco da velha, que me puxa para dançar no meio da rua e à frente de toda a gente.
Sou uma pessoa sisuda por natureza. Mas vais a extremos para me fazer rir e sorrir. És um pequeno macaco de corda, mas não me importo com isso, por mais incrível que …

Insónia da tua ausência

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Espero por ti todas as noites. Enquanto vejo a Lua a surgir no seu devido lugar no céu, luz cálida e brilhante, como sempre, longa expectadora de junções e de separações, testemunha de grandes actos de amar bem como também de grandes guerras.
Espero por ti, na insónia da tua ausência. Cubro-me com os lençóis, revoltos em cima das minhas pernas e do meu tronco, revoltos pelo meu desassossego e pelos sons dos meus pesadelos.
Na tua ausência não consigo dormir. Sinto a falta do teu corpo ao meu lado, a forma como o teu calor parece fugir do teu encalço e me envolve e protege. Como o teu toque me acalma e afasta todos os fantasmas, mesmo aqueles que já parecem acompanhar-me desde pequena.
És a luz no meio da escuridão que me rodeou até te conhecer.
Sento-me na cama. O cabelo cai-me para os olhos, e empurro-o para trás com a mão. Olho através da janela, a rua movimentada mais calma ainda que o meu interior.
Sinto-me que nem em Nova Iorque, nos seus dias mais calmos.
Saio do quarto. O…

Mesmo que ainda não o saibas

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És o amor da minha vida, mas ainda não o sabes.
É o teu nome que me surge preso na garganta. És quem me faz gaguejar quando está por perto. Vivo tonta. Tonta com a tua presença e pela ideia dela. Esqueço-me de respirar de cada vez que estás por perto, como se me fosse afogar fora de água.
És aquele que traz música aos meus ouvidos. As tuas palavras, fluem até mim, levs, graves, profundas. Como se cada palavra tivesse uma nota especifica com um poder ideal para determinada parte do meu corpo.
És o meu instrumento musical predilecto, apesar de ainda não o saberes.
Tornaste-te aquele que faz o meu coração bater mais depressa. Que o faz saltar um batimento, deixa-lo confuso ao ponto de ficar a funcionar mal. Leva-lo à loucura, tal como me levas a mim à loucura, com o teu jeito de me hipnotizar. Tornaste-te num mágico profissional no dia em que te conheci, somente tu capaz de me maravilhar, seduzir e agraciar.
O teu sorriso é a mais bela e melhor arma que possuis. Desarmas os mais duros …

Procuras

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Eu era uma vagabunda de sentimentos. Nunca me contentei com muito, e nunca me deixei apanhar por nada. O vento, mensageiro de bonança e tempestade, cedo se tornou o meu testemunho, mensageiro do que estava na estrada deserta.
Sempre busquei a liberdade.
Mesmo quando tudo aquilo que tinha que fazer era esticar os meus dedos, e estaria ao meu alcance.
Esteve ao meu alcance, mesmo quando estava fora de mim.
Tive asas um dia. Eram lindas. Transportavam-me do Mundo real para o Mundo dos sonhos, e de volta, a liberdade magnifica, doce. A minha casa fora dela, o sitio na minha vida, onde o meu calor se enchia de calor de paz.
Mas cortaram-nas. Somente me restam as cicatrizes nas costas, feias, lúgubres. O lugar de entrada para os pensamentos negros que me prendem à realidade, e me impedem de fazer parte dela.
Não sei o que é sentir. Já não. Perdeu significado. A palavra em si, desapareceu de um dicionário cheio de trejeitos e ilusões.
Como se pode sentir alguma coisa, quando nem sequer se te…

Paixão de Ribalta

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Era o circo das mil e uma noites, espetáculo de cores, luz e ilusão, que sempre apaixonou tantos e tão poucos de todas as idades.
Era o inicio da noite, as cores lavanda do por de sol iam dando lugar ao azul escuro da noite. As pessoas chegavam de todos os cantos da cidade. Era um espetáculo de uma noite apenas, fenómeno tão raro quanto um eclipse lunar.
Eu estava tão nervosa. Ficava sempre assim, a cada nova cidade, a cada novo espetáculo. Suponho que nasci com uma fagulha de medo que se incendiava pelo meu corpo a cada nova noite de trabalho. Era uma trapezista, uma acrobata dos ares, de alturas que nem queria imaginar não fosse o meu corpo tremer que nem varas verdes. Foi uma profissão passada da minha família, da mesma maneira que alguém poderia deixar joias para herança de outrem. Os meus pais, as minhas duas irmãs, e eu. Havíamos tido o nosso destino escrito, ainda antes de termos posto os nossos pés em terra firme. Também os seus filhos, e os meus teriam o mesmo Destino.
A di…

Conto de um primeiro amor

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Era uma vez... O que muitos chamariam de um conto de fadas e uma história de encantar. Mas foi apenas um primeiro amor. Daqueles que são repletos de mistério e sentimentos verdadeiros. Foi um primeiro amor, e quem sabe o último. Com testemunhas, o que talvez o torne mais palpável, mais verdadeiro. Mas mesmo se testemunhas não existissem... O primeiro amor nunca morre em nós.
Conheci-o numa manhã de Verão. Talvez para muitos, uma como tantas outras. Mas... não sei. O Verão sempre teve um misto de magia e liberdade. Como se tudo pudesse acontecer. Bem, pelo menos para mim.
Estava a caminhar à beira da água. Os grãos de areia infiltravam-se entre os meus dedos, como se quisessem fazer parte deles, e se quisessem esconder do Mundo.
O mar, lá ao longe, estava revolto. Os Deuses estavam inquietos, como se uma Guerra estivesse para ser travada. O som da revolta da Mar sempre me acalmou, desde que era bem pequena, e naquele dia não era excepção. Como se a revolta do mar de alguma forme se coa…

Amor de momentos

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Conheci-te numa manhã, em que os flocos de neve caiam do céu, cada um mais imperfeito do que o anterior. O vento gélido atirava-me para trás com a força de mil guerreiros: não consigo dizer quantas vezes me havia arrependido de ter saído de casa.
Mas suponho que estivesse somente a ser forçada pelo Destino.
Caminhara até à Baixa. A neve era tão pouco natural na cidade, que a maioria das pessoas se sentia desorientada relativamente ao caminho que havia de seguir. Eu, estava apenas desejosa de café, combustível para o começo do meu dia.
Parei a meia distância do meu caminho, quando te vi no interior do café. Sentado, com um livro diante do olhar, percorrias as palavras como se disso dependesse o Destino do próprio Universo. O cabelo insistia em cair-te para a frente dos olhos, como se tivesse vida própria.
Entrei dentro do teu café, quando tinha por Destino o meu. Lancei-te um olhar algo duradouro, mas nada te conseguiria desprender do teu Mundo Imaginário. Fui para a fila para ser serv…